Acho que nem queria pensar sobre a COP-15. Minha monografia (análise crítica da eficácia da proteção do meio ambiente através dos mecanismos criados pelo Protocolo de Quioto, com base na filosofia de Herbert Marcuse e no marxismo ecológico) parece que me deixou mais desacreditada. Isso porque a questão é sempre o dinheiro, o lucro, a expansão disfarçada de desenvolvimento. O tal do desenvolvimento sustentável é uma ladainha sem tamanho.
A verdade é que ninguém estava em Copenhague a fim de fazer alguma concessão para o futuro. Parece que todos esperam por uma salvação, como a Disney já emplacou no Wall-E, quando aqui estiver inabitável teremos um outro lugar para vivermos e dane-se tudo (a mensagem final do filme pode ser positiva, mas não deixa de jogar tudo pra frente, como algo longínquo, uma lição a ser repassada aos pequenos, mas sem algo prático nem mensurável a se fazer para evitar o drama).
É um descaso tão grande. Uma inversão de valores absurda. O dinheiro virou a razão de vida do ser humano. O dinheiro está associado não só às mercadorias, mas a todas as outras coisas, como felicidade, amor, conforto, poder, satisfação, etc.
E aí? Se você tem essas coisas sem o dinheiro o que acontece? Você é taxado de pobre infeliz que se engana. Isso porque existe todo um trabalho de dois séculos (talvez cinco séculos) em que a manipulação da sociedade se dá, gradativamente, com o objetivo de embutir em sua mente necessidades falsas. A felicidade é o ter alguma coisa. Coisa sempre no sentido de objeto, ligada ao processo de coisificação de pessoas e sentimentos. Tudo um grande shopping.
A depressão de entender isso e se ver quase atado a essa grande massificação é soberba. Claro que existem pessoas lúcidas, mas elas são peças fora do tabuleiro. Os grandes ousiders, os alienados do mundo real (o nome da nossa moeda já é bem característico), e se tudo der certo, conforme os ditames do mundo concreto, não há nada melhor do que algum remédio que o psiquiatra receite de bom grado e que os faça não sentir mais nada.
