A primeira vez que recebi uma carta sua fiquei logo eriçado e passei, depois de sorver seu conteúdo, a virar a carta em diagonal, para observar suas belas formas...a letra gorda, redonda e bem traçada, tão próxima das curvas de seu corpo. Depois pousava o papel na mesa e minha face ao lado dela, vendo pouco e embaçado, sentindo o cheiro do papel e da tinta de sua caneta.
Naqueles meses eu te amei através de sua tinta e do suor de sua mão no papel e das curvas de seus “as” tão mal feitas e excitantes! Vibrei à cada ponto seu. Chorei nas exclamações e interrogações, nas primeiras de amor, nas segundas de dúvida...
Naqueles meses eu te amei através de sua tinta e do suor de sua mão no papel e das curvas de seus “as” tão mal feitas e excitantes! Vibrei à cada ponto seu. Chorei nas exclamações e interrogações, nas primeiras de amor, nas segundas de dúvida...
Salguei suas cartas com minhas lágrimas e, quando não recebi mais outras, passei a lamber seu papel e tinta e o sal de minha tristeza, que se acumulava a cada linha, a cada lida, a cada interpretação de sua partida.
No fim, lambia os envelopes e os jogava na caixa de correio, na esperança de te receber e sorver num novo dia.